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sábado, 5 de outubro de 2013

Lares de Terceira Idade vs Envelhecimento no seio da família

Bom dia a todos, apesar de para mim não estar a começar bem!

Hoje acordei, desta forma madrugadora, com uma angústia no peito que não estou a conseguir dissipar. Acordei com o pensamento a remeter-me para a situação atual da avó do meu marido, uma Senhora de 88 anos de idade, a H., quase dependente total, viúva há 4 anos, que neste momento se encontra num lar. Quando o marido, o principal cuidador morreu, estando todos a trabalhar e/ou estudar e visto que a Senhora mora na nossa terra natal, numa aldeia, e portanto longe de nós, a solução foi encontrar um sítio onde cuidassem dela.
 Como sabemos hoje em dia é difícil encontrar pessoas que fiquem como internas em casa destes idosos, ainda mais quando as próprias casas são também elas antigas e oferecem poucas condições habitacionais. Por outro lado, esta é uma idosa que sempre abominou a ideia de ir para um lado. A solução encontrada então na altura foi deixá-la ao cuidado de uma senhora particular, que cuidava de idosos em sua casa. No início era apenas a avó do meu marido e outra que já lá estava. Depois, altura houve em que esta pessoa chegou a ter quatro pessoas ao seu cuidado. No entanto, era um ambiente mais reservado, mais doméstico e situava-se numa aldeia vizinha, onde acabava por receber visitas de familiares e amigos frequentemente.
Há uns meses, a sua condição física agravou-se e cremos que se não fosse a família a ir visitá-la naquele fim-de-semana, H. tinha falecido com uma extensa insuficiência renal, que por sua vez levou a uma grave insuficiência respiratória. Esteve hospitalizada um mês e pouco e quando começou a ser planeada a alta optámos por procurar outra solução. A verdade é que apesar de ter parecido uma boa solução ao princípio, este "lar" que encontrámos não lhe oferecia todas as condições que necessitava, percebemos mais tarde. A cuidadora passava os seus dias na sua horta e as idosas ficavam  muitas horas sozinhas, muitas vezes à beira de uma lareira acesa, sem proteção. Por outro lado verificou-se que quando a H. necessitou de assistência, esta cuidador não teve a perspicácia de chamar o INEM e levá-la para o hospital, contribuindo para o agravamento da situação clínica da H.
Quando a H. saiu do hospital já tinha á sua espera uma vaga num lar, na cidade mais próxima, ficando também a cerca de 300m do Hospital. Pareceu-nos uma solução óptima, até porque aqui teria assistência médica e de enfermagem diariamente, caso necessitasse. Também está numa zona acessível, com transportes mesmo à porta, o que facilita as visitas dos familiares que vêm da aldeia para a ver. Está lá há cerca de 6 meses e as coisas têm corrido bem até agora. No entanto há umas semanas que a H. começou a dizer que não quer estar ali, que não gosta pois vê ali coisas que a sua cabeça e o seu coração não podem aceitar. Sempre que a questionamos sobre essas coisas, nada mais adianta.

Ora, como sabem estou de partida para a Alemanha, e esta senhora H. de quem gosto muito resolveu há uns dias sair-se com esta:
"_ Então agora que já acabaste o curso e que não tens emprego, tu é que podias ficar comigo em casa!"
Bem, deixou-me de coração partido. Contudo é uma pessoa bastante pesada que exigiria grande esforço físico e que me deixaria "presa"24h por dia, 365 dias por ano. Na sua casa não teríamos condições para ficar e na minha também não por ser um terceiro andar sem elevador. Por outro lado, manter-se-iam os meus atuais problemas financeiros e todos os meus sonhos cairiam por terra. Confesso que nem considerei a questão, apesar de muita pena.
Então, hoje acordo às 6h da matina, a sentir-me altamente culpada por estar a ir-me embora ao encontro da minha vida e dos meus sonhos e como que a abandoná-la. Os seus três filhos já morreram, restando-lhe duas noras e quatro netos, metade dos quais raramente (ou nunca) a visitam. Acordei a sentir que o meu dever era ficar e cuidar eu dela, tirá-la daquele sítio onde não quer estar. A H. não é minha avó, apesar de gostar muito dela, e por isso acho que o dever não é meu, mas não consigo deixar de me sentir culpada. Já por várias vezes que refere que "quem inventou os lares devia arder no inferno" e que "a ganância é que faz com que deixem os idosos nos lares ao invés de cuidarem deles em casa, como outrora". Sei que não o dever não é meu, mas não consigo deixar de ouvir ecoar estas palavras e pensar no pecado da ganância que estou a cometer ao partir em busca de melhores condições e deixá-la ali.

Desculpem pelo extenso desabafo, mas precisava tentar dissipar esta angústia de qualquer forma.

E vocês o que pensam destas situações?

**Cat**

2 comentários:

  1. Se temos a possibilidade de cuidar e de acarinhar alguém, devemos fazê-lo. :)

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  2. Há lares e lares, o gostar de estar no lar depende muito das pessoas que lá trabalham e também do feitio dos idosos que para lá vão.
    Os idosos viveram a vida toda na sua casa, à sua maneira, com os seus horários. E de um dia para o outro têm que se adaptar a uma nova "casa", rotina e pessoas. Não é fácil, mas depende muito da forma como os idosos encaram a ida para o lar e forma como são tratados lá.
    A minha avó paterna foi para o lar e no princípio custou, mas depois habitou-se. Durante a semana os horários do meu trabalho e os das visitas no lar não eram compatíveis, mas todos os fins de semana ia lá visitá-la e às vezes ao domingo ia buscá-la de manhã, almoçava em casa, e ia deixá-la à tarde.
    Ela gostava de ficar em casa dela, mas também compreendeu que o filho e eu (a neta), não tínhamos a disponibilidade suficiente para tratar dela e ficar todo o dia sozinha em casa, também não era bom para ela.
    A minha avó dizia (entretanto já faleceu) que no lar há filhos de muita gente e nem toda a gente se mostra contente com a vida que Deus lhe deu.

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