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domingo, 29 de setembro de 2013

O PAI (da Carolina)

Capítulo II

O pai, o Francisco, toda a vida foi guiado pelas ordens da sua mãe, a Ema. É um homem inseguro, mulherengo e um falhado, na perspectiva de muitos que o conhecem. Está no terceiro casamento, com uma mulher desequilibrada, que não pode abandonar por situações da vida, que agora não interessam para esta história. O primeiro casamento foi uma imposição da mãe, pois já tinham tudo marcado para o seu casamento com a Susana, quando conheceu a Filipa. Casou apesar de tudo, mas abandonou o lar uma semana depois, com a sorte de não ter deixado ali a sua semente, entenda-se, um filho. Juntou-se com a Filipa, contra a vontade de Ema, que infernizou a vida da jovem, que mal sabia onde se estava a meter…
O segundo casamento terminou e para trás deixou dois filhos. Não que não gostasse deles, que não sentisse o amor fraterno, mas não consegue desempenhar este papel. Talvez tenhamos que ir mais atrás a infância deste pai, que um dia foi filho. Filho de uma mãe que o adora acima de tudo e filho de um pai que se desconhece quem seja. Filho então de um outro pai que o aperfilhou e que lhe deu tudo, mas que nunca conseguiu perdoar a mulher ou aceitar os defeitos deste filho, que não era seu. Francisco cresceu no seio de uma família controversa, em que o pai exige bastante dele mas em que a mãe o protege e esconde os seus erros. Não cresceu, não aprendeu a responder pelos seus erros nem a assumi-los e emendá-los com responsabilidade. É hoje um menino grande, de 35 anos.
As atitudes que toma são mais fortes do que ele, algo que lhe é intrínseco, mesmo não gostando do que vê e do que é, nada consegue fazer para o alterar. Nunca gostou de estudar e o trabalho também não é para ele. Tem a “sorte” de ter uma mãe que o apoia 100% e que lhe vai dando algum dinheiro quando está mais enrascado, mesmo que seja às escondidas do pai, que sabe preferir a irmã, alguém mais perfeito que ele próprio.
Começou com o erro das mulheres, com as quais não consegue evitar envolver-se, coisa que para si é muito fácil, como se lhe saísse pelos poros, qual cavaleiro andante ou 007 galanteador. Elas vêm até ele, e ele como verdadeiro macho que é não lhes consegue resistir. Depois as dívidas! O homem até têm ideias e gosta de tomar a iniciativa com a ajuda do financiamento dos pais. O problema é que se cansa facilmente e como já referi, trabalhar não é o seu forte, consequentemente as dívidas vão-se acumulando, o que o obriga a mudar frequentemente de casa, de trabalho, de cidade…
Está agora no terceiro casamento, do qual já tem mais um filho. As coisas não correm da melhor forma, dado que esta mulher é muito mais controladora. Dizem que à terceira é de vez e parece que assim será. Já tentou separar-se, mas desta vez não vai ser fácil. Embora das vezes anteriores tenham sido elas a deixá-lo, desta vez tenta o contrário, mas em vão. Esta é persistente, e pior, esta é pior que ele. Agora é obrigado a trabalhar, porque esta é uma mulher desequilibrada que também não gosta de trabalhar. Agora tem de ser pai, porque esta mulher não sabe ser mãe, e o filho anda aos tombos sem ninguém que olhe por ele. Já não vai para novo, já não está tão bonito e tem às costas uma cruz que o fará penar.
Agora é perseguido pela bagagem do seu passado e pelo peso do seu presente. Apresentou aos filhos, do casamento anterior, esta mulher e o filho mais novo agora já com 3 anos, sem qualquer preparação prévia. Em parte porque não sabia como o fazer, mas também porque foi uma decisão repentina, mais uma vez provocada pela pressão da mãe, que não resiste a meter-se na sua vida. Os últimos encontros entre a ex-família e a actual não correram bem, mas o Francisco não é homem de encarar nada de frente, nem de dar a cara por ninguém. Tem fechado os olhos ao que vê e tem tamponado os ouvidos ao que ouve. Prefere ignorar, tal como uma criança que crê que ao fechar os olhos os outros não a vêem.
E é esta a figura paternal de Carolina!



segunda-feira, 23 de setembro de 2013

O INÍCIO

Capítulo I


Era uma vez uma adolescente, de seu nome Carolina, cujos 15 anos davam muito que pensar. Os seus pais estavam divorciados desde que tinha três anos e as recordações destes tempos eram praticamente inexistentes. Idolatrava o pai desde sempre, mesmo após todas as tentativas frustradas de aproximação. Qualquer segundo de carinho, qualquer sorriso ou a palavra “filha” vinda desta boca, deixavam-na derretida e mascaravam qualquer sombra do homem que tinha seguido a sua vida e que apenas se relacionava com a filha por imposição da família, em especial da sua mãe.
Cresceu num ambiente familiar aparentemente saudável, apesar das constantes discussões com a mãe. Embora não a considerasse culpada pela separação, a falta de relacionamento com o pai deixava-a revoltada e descontava a revolta na mãe, não lhe atribuindo apesar de tudo nenhuma culpa pelo divórcio. São sentimentos controversos, ainda mais quando experienciados em criança, sendo que acabam a ser exponenciados com a chegada de adolescência. Não se trata de uma atitude agressiva direccionada, mas de uma explosão de sentimentos que fogem ao controlo e que saem como fogo de artifício em todas as direcções. A mãe, por estar sempre presente, por ser a pessoa mais próxima, acaba a ser quase sempre o alvo do fogo disparado.
É a história típica de uma adolescente, excelente aluna, praticante de desporto, responsável, trabalhadora, mas que esconde uma parte da sua vida. Não será isto de estranhar numa adolescente. Todos sabemos que os adolescentes têm segredos. Desde os namoros, nem sempre com a pessoa certa, às experiencias nem sempre corretas ou agradáveis, como o primeiro bafo ou a primeira vez. Mas esta adolescente tem algo mais sombrio por detrás da aparência normal, algo que acontece dentro das paredes de casa, no silêncio da noite, no vazio da solidão.
Socialmente não posso dizer que seja a mais popular lá da escola, mas também não é anti-social. Pratica um desporto de equipa, que faz parte da sua rotina semanal vários dias por semana. Na escola convive com vários tipos de pessoas, embora nunca se sinta realmente encaixada. Prefere resguardar-se de amizades que a possam desvendar, que a possam magoar, não se inclui em grandes grupos de amigos, normalmente tem apenas uma ou duas amigas mais próximas e mesmo com essas não se revela totalmente.
No campo amoroso, já experienciou algumas relações, a maioria sem importância, fugaz e superficial. Não passa muito tempo sem uma relação. Precisa sentir-se amada e a figura masculina transmite-lhe complementaridade, talvez influenciada pela sua relação com o seu pai. Não tem medo de experimentar coisas novas, algumas delas talvez precoces para a sua idade. Embora possa parecer aos outros que o faz para agradar a quem está consigo, namorados ou amigos, a verdade é que o faz porque precisa de se sentir audaz. Carolina é uma rapariga curiosa e precisa de sentimentos fortes, que busca nestas atitudes menos lícitas, aventureiras e até perigosas. Apesar de tudo fá-lo discretamente e são muito poucos os que têm conhecimento de tais atitudes. Normalmente apenas uma a duas pessoas sabem de tais situações e nunca a mesma pessoa sabe de várias, isso permite resguardar-se e não se dar a conhecer totalmente. Se questionarmos os seus amigos, família ou conhecidos, todos terão uma opinião diferente sobre ela. Talvez concordem numa parte da descrição: Carolina é uma rapariga forte, determinada e que sabe o que quer. Mas será mesmo assim? Ou construiu uma muralha para se proteger?
A família é o mais importante para ela. Mas sente-se reprimida e incompreendida. Tudo o que faz é tentar ser a melhor em tudo. Sente que é uma obrigação e o que a família espera dela. É por isso que se esforça por ser a melhor aluna da escola, embora isso também lhe pareça sair naturalmente. É por isso que a irrita que se contentem com o “Satisfaz” do irmão, quando esperam o 100% dela. Carolina sente-se incompreendida e mal-amada, apesar de ter sempre sido uma criança adorada por todos, de ter conseguido ser sempre a melhor e de ter tudo o que sempre quis, ou pelo menos assim pareceu. Mas a verdade é que chegou agora aos seus 15 anos e continua a não se entender a si própria nem aos outros. Sente-se amargurada e desabafa com o seu diário. O único que conhece a sua verdadeira história.

E é aqui que a encontramos e que a história começa, sentada numa sala de biblioteca, num canto de uma sala, sozinha e a escrever. Mas antes de começar talvez seja importante conhecermos mais dos que rodeiam esta menina. Olhemos então um pouco para trás para conhecer a família, que tanta influencia tem na personalidade desenvolvida ou diria antes assumida por esta adolescente, não sendo eu psicóloga nem querendo entrar num campo sobre o qual não tenho o direito de dissertar.

Novo Tema : "Uma História..."

Bom dia a todos!

Decidi lançar uma novo tema aqui no blog, depois de muito refletir sobre isso. É uma história sobre a qual tenho escrito de alguns meses para cá e como ainda não tem título, esta espécie de livro digital ficará com o provisório supracitado...
Não vou lançá-lo como uma rúbrica, porque não me quero comprometer com datas para a sua publicação. Tentarei que saia um pouquinho pelo menos uma vez por semana, mas não prometo nada.
Esta é uma história baseada em factos reais, com um pouquinho de ficção à mistura, mas retrata uma situação que acontece todos os dias ao nosso lado sem nos apercebermos. É uma situação pesada, angustiante e escondida, que muitas vezes nos passa mesmo por baixo do nariz, com família, vizinhos, amigos, sem que ninguém dê conta. Não vou adiantar mais!
 Poderão acompanhar a história por aqui, intercalada ou não por outros posts, mas será fácil de aceder pois ficará com a etiqueta "Uma História...". A primeira publicação será mais logo, em horário nobre =)...

Espero que gostem! Podem comentar e/ou dar sugestões, embora não vá fugir muito do fio condutor, nunca se sabe se não me inspiram com mais qualquer coisa... Agradeço o facto de continuarem desse lado e gostaria bastante de continuar a receber o vosso feedback, agora sobre estas próximas publicações.

Beijinhos,
Cat***

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Setembro, ciclos, presente e futuro

A minha andança por estas bandas tem sido escassa como é óbvio...
Sim, sei que sentem a minha falta, mas como bons leitores sem que compreendem a agitação em que a minha vida tem andado...
Até meados do meio do mês estive a terminar a primeira fase do meu curso de alemão. O A1 já está e agora siga para a Alemanha. Vou partir já no princípio de Outubro e não consigo parar de querer organizar tudo. Faltam cerca de três semanas e já tenho as malas praticamente feitas. Tenho também uma lista quase riscada, mas à qual acrescento todos os dias mais qualquer coisa. Tenho medo de me esquecer de algo crucial e por isso estou a fazer tudo com muita antecedência. Estou muito ansiosa por esta mudança que vai significar tanto na minha vida.

No outro dia lembrei-me de uma frase que me disseram uma vez: " a vida é feita de ciclos e normalmente cada ciclo começa ou acaba com um grande evento". Refleti sobre a minha vida até agora e é bem verdade... Aos 18 anos sai de casa, fui morar como meu namorado, numa cidade diferente, comecei a trabalhar e a fazer o IRS por minha conta, entrei na universidade e comecei a tirar a carta. Agora terminei o meu curso, deixo para trás a vida de estudante e os trabalhos temporários, entro à séria no mercado de trabalho e mudo-me para um país diferente! Estou apreensiva com o resultado, mas não posso deixar de estar feliz!

Por outro lado, tenho alturas do dia, em que sozinha em casa olho para as minhas coisas, para as fotos na parede e bate uma saudade. Penso nas diferenças do meu país em comparação com o país que me vai adotar: no clima, na gastronomia, nas pessoas, na luz... e nada melhor para exprimir isso que estas duas músicas:


" ...se uma lágrima te cair ao ver chegar o fim, toma cuidado, muito cuidado, que a saudade começa assim..."

Que vida ingrata a dos que se vêem obrigados a partir daquilo e daqueles que são seus em busca de novas oportunidades de vida. Mas a vida é mesmo assim, as viagens de avião hoje em dia já se conseguem a preços mais razoáveis. E não vou para o outro lado do mundo. Há sempre a internet que nos permite manter o contacto diária com a família, os amigos e convosco...

Obrigada por tudo,
Cat**

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Sobre o que ando a ler...

A par com todos os exercícios de Alemão, de que já estou exausta, tenho andado a ler bastante, para não começar a misturar idiomas e cometer erros de ortografia em Português que às vezes começa a acontecer quando nos debruçamos simultaneamente noutras línguas. Ainda mais que neste caso está a ser de uma forma super intensiva, diria mesmo exaustiva...

Agora estou a ler este:

Não é um livro que estivesse a contar ler. Não me suscitou grande interesse no seu lançamento. É uma temática que feliz ou infelizmente conheço bem, por motivos meramente profissionais (Graças a Deus!), sobre a qual não tinha grande interesse em ler nesta fase da minha vida.
No entanto, foi-me oferecido no meu aniversário e como não só de rejeitar leituras, foi agora!
Comecei a lê-lo hoje, no metro, de manhã, e já avancei pouco mais de 100 páginas. No início e àquela hora da manhã, ao empatizar com os sentimentos transmitidos, comecei a sentir-me enjoada. Uma mulher com cancro, grávida e em risco de vida... às vezes sou capaz de ser muito fria e distante, mas tenho sentimentos, como é óbvio.
Por agora até estou a gostar, vamos ver a continuação. Mas acredito que não deve sair muito desta linha. Transmite bem a ideia do que estas doentes passam. Para quem tiver curiosidade até agora o meu feedback é positivo!

Beijinhos,
Cat

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O dom da invisibilidade

Ainda estou por aqui... Ando preguiçosa mas continuo por cá! O curso de alemão tem-me deixado exausta mentalmente e sem inspiração nenhuma, como devem calcular é um enorme esforço mental que faço diariamente. =P

Bem de qualquer forma continuo por aqui, quase invisível mas por aqui...
Vão dizendo coisas...

Tschüss