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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

A MÃE (da Carolina)

Capítulo III

Filipa é uma mulher independente, com uma infância difícil no seio de uma família de seis irmãos, onde reinava a pobreza, a ignorância, o alcoolismo e as traições. Impossibilitada de estudar pelos pais, cedo teve de deixar a sua casa e a sua aldeia e rumar a Lisboa, para trabalhar, à semelhança da irmã mais velha com quem nunca se deu bem.
Conheceu o Manuel, num jardim de Lisboa, tinha então 19 anos. Foi um encontro com toques de romantismo e espontaneidade, onde conheceu um homem da sua idade, bonito, aparentemente educado e responsável, tendo aceitado marcar novo encontro para o dia seguinte.
Acabou apaixonada, engravidou. Não que o planeasse, mas aconteceu. Decidiram ter o bebé, estavam a viver juntos e gostavam um do outro. As coisas nem sempre correram pelo melhor com a sogra. Ema não os deixava em paz e foi o que a motivou a convencer o Manuel a voltarem para a sua terra natal. O bebé era uma menina e as coisas acalmaram por um tempo, apesar duma visita inesperada de Ema para ameaçar Filipa durante a gravidez. O casamento não estava a ser o mar de rosas que se esperava devido aos deslizes extraconjugais de Manuel e à sua tendência para acumular dívidas. Entretanto o irmão mais chegado de Filipa morreu num acidente e ela entrou em depressão. Estava medicada quando aconteceu o segundo bebé não planeado… mais uma vez as coisas não correram bem e a sogra decidiu fazer nova visita, desta vez não presencial. Enviou-lhe um kit com medicação para realizar um aborto.
O segundo bebé acabou por nascer, mas desta vez Filipa ganhou coragem e separou-se. Ficou com duas crianças, sozinha, desempregada e com muito pouco suporte familiar. Acabou por conhecer um homem mais velho, com idade até para ser seu pai, o Paulo. Não é particularmente bonito mas tem-se mostrado atencioso e consegue transmitir-lhe a segurança que precisa neste momento, não só financeira como se possa pensar, mas emocional. Fá-la sentir-se uma grande mulher, bonita e inteligente, como de facto é mas há muito não sentia. Estão juntos há cerca de 8 anos e as coisas têm corrido bem, pelo menos até agora. Começou a trabalhar para ele, na sua empresa e compraram uma casa, onde vivem, embora esta esteja apenas em nome dele.
Filipa está muito preocupada com a filha, apesar de Carolina não ter revelado grandes mudanças comportamentais, pois continua a ser a menina respondona e espevitada de sempre, tem-se mostrado mais agressiva. Preocupa-a o facto de o ex-marido nuca ter conseguido separar os filhos dos aguisados da sua vida pós-segundo-casamento. Sempre tentou proteger os filhos, mas por esta altura começa a questionar-se se o terá feito da melhor maneira. As notas de Carolina baixaram um pouco, apesar de não ser ainda uma diminuição relevante, e descobriu outros pormenores – Carolina tem faltado a algumas aulas. Para agravar a situação, Filipa descobriu a sua assinatura falsificada por Carolina em algumas justificações de faltas e isso deixa-a apreensiva dado que a faz recordar-se das vezes que o ex-marido fez o mesmo, deixando-a com dívidas que ainda hoje, dez anos depois, se encontra a pagar. Está neste momento a questionar-se se educou a filha da maneira correta e se esta estará a revelar agora características herdadas do seu pai, apesar do escasso convívio que tiveram ao longo destes quinze anos.
Não quer continuar a discutir com a filha, mas não pode deixar passar em branco as suas últimas atitudes. Tenta chamá-la à razão, mas Carolina fecha-se em copas. Não o demonstra e mantém a postura inflexível, no entanto Filipa está destroçada e mais uma vez volta a questionar-se se estará a errar como mãe. Apesar das dúvidas decide manter o pulso firme e a rédea curta, Carolina ficará de castigo nos próximos tempos. Também não gosta do namorado novo da filha. É mais velho e um dos rufias lá da escola, não gosta da forma como controla Carolina e acha que este a influencia negativamente. Sim, definitivamente o castigo será uma resolução para dois problemas. Uma punição para o seu mau comportamento e uma protecção de alguém que, a continuar neste rumo, ainda a vai magoar bastante.
O passado de Filipa é algo que determina o seu presente de uma forma que chega a ser consciente. Sabe que a relação com a sua mãe influencia de forma vincada a relação que estabelece diariamente com os seus filhos. Nunca se deu bem com a mãe, como já foi referido, o enredo familiar de Filipa é uma teia com muitos fios e a sua mãe é apenas um desses fios. Um fio de piso escorregadio, difícil de seguir. Sempre se sentiu negligenciada pela mãe, em prol da sua irmã. Tem conhecimento das escapadelas extraconjugais da mãe e sempre pensou que a mãe não gostava mais da irmã por esta ser filha do homem que sempre amou, que não era o seu marido. Em contrapartida, crê que o desamor que a mãe sempre sentiu pelo seu pai, um marido alcoólico com quem foi obrigada a casar, lhe foi direccionado desde o seu nascimento.
Aprendeu a amar os filhos como gostaria que a sua mãe a tivesse amado. Não foi um comportamento difícil para Filipa, em parte devido à característica maternal, tão pronunciada na sua personalidade. Nos últimos anos esta característica foi aprimorada, com o relacionamento bem-sucedido com uma mulher para quem começou a trabalhar. Esta mulher, que por motivos que não interessam nesta história, será chamada de Senhora. E Filipa desenvolveu com a Senhora a relação de mãe-filha que nunca teve com a sua mãe biológica. É alguém de quem gosta muito, com quem gosta de conversar e de quem gosta de ouvir conselhos. Tem sido uma grande ajuda nas decisões que tem tomado na educação dos seus filhos, em especial de Carolina, que ultimamente tantas preocupações lhe tem dado.
O seu relacionamento amoroso, ultimamente, também não tem sido um mar de rosas, as discussões são frequentes, embora as consiga esconder dos miúdos. Na base da discórdia estão informações que Filipa descobriu sobre o actual companheiro, escondidas no recôndito escritório lá de casa que há alguns meses começou a estar fechado à chave. Informações que a deixam confusa, furiosa, desiludida e revoltada. Chegou à conclusão que talvez seja melhor separar-se, enquanto ainda tem alguma margem de manobra, para sair desta situação de forma digna e protegendo os filhos, adolescentes, crianças para ela. Terá de ser tudo feito com muita calma para não prejudicar a rotina dos filhos e para que não percepcionem o stress que está a vivenciar. Apesar de todo o seu cuidado até agora, desconfia que a Carolina se apercebeu que algo não está bem. Não tem feito perguntas, mas já demonstrou o seu apoio por diversas vezes, numa conversa muda em que o olhar diz quase tudo. Ou então é o subconsciente a pregar-lhe partidas e está a ver o que quer ver, na busca por embelezar a relação ultimamente tão conflituosa com a sua filha.
Filipa já apresentou queixa na Polícia de Segurança Pública de Abrantes, relativamente ao que descobriu sobre o companheiro – que será revelado mais adiante – mas misteriosamente os registos da queixa desapareceram e nada foi feito. Está claro que há agentes policiais envolvidos nos esquemas do companheiro. Decidiu recorrer a outro tipo de instituição e quis apresentar queixa na Guarda Nacional Republicana de Santarém, que infelizmente revelou compreender a sua situação mas que nada podia ser feito sem uma queixa oficializada na PSP de Abrantes, para que esta abrisse um inquérito e a segunda pudesse actuar. Ninguém sabe o que tem feito. É necessário manter o segredo para já, dado que não sabe quantas pessoas estão envolvidas com Paulo e porque também não tem grandes amigos em quem confie.

Sente-se só, a carregar uma cruz que não é a sua, e sem ninguém para a auxiliar. Nunca foi de grandes amizades, é o que acontece quando se é traído vezes sem conta pela própria família. Aprende-se, na sua perspectiva, a não confiar em ninguém, a não ser em si própria. Ao longo da sua vida teve apenas duas grandes amigas. Duas amizades que duraram quase metade da idade que tem, neste momento, e que acabaram num segundo. Acabaram quando Filipa se sentiu usada. Sempre se considerou uma amiga com quem podiam contar em todos os momentos bons e maus, esteve sempre lá. Emprestou dinheiro, testemunhou em tribunal, deu cama, arranjou trabalho, deu o que pôde quando as amigas precisaram. Um dia, quando foi ela a precisar, percebeu que estava sozinha. Ninguém esteve lá para a ajudar. Não se considera uma pessoa de guardar rancores, de odiar quem lhe fez mal, mas também não é de perdão fácil e mesmo quando perdoa não esquece. Dificilmente volta a confiar numa pessoa que a tenha feito sentir-se traída. Sente-se só, convive com muitas pessoas, mas não há ninguém em quem confie a 100%.
Logo teremos continuação da história!
Hoje abordaremos a personagem que é a mãe da Carolina. A Filipa!
Esta personagem, ao contrário do pai, está muito presente na vida da Carolina e será determinante nas suas escolhas futuras...

Continuam a acompanhar? Espero que sim...

Neste momento estou ainda a apresentar personagens, mas no próximo capítulo já começaremos a desenrolar a história... Não se esqueçam de ir deixando o vosso feedback que é tão importante para mim!

***Cat***

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Última semana...

Esta é a minha última semana em Portugal!
Esta é a minha última semana no ginásio!
Esta é a minha última semana como desempregada (apesar de já ter assinado o contrato!)!
Esta é a minha última semana a dormir com o meu marido!
Esta é a minha última semana junto dos meus familiares e amigos!

mas isto apenas por uns meses ou anos, claro...

Esta é a minha primeira semana como mulher nostálgica, saudosa e saudosista...!

Esta é a semana de continuação da minha vida, em que fecho um ciclo e abro outro. Se cair uma lágrima não faz mal, certamente surgirão muitos sorrisos também.

E mais uma vez as músicas que marcam esta etapa:
Lisboa


Lágrima

E é isto!
Cat***

domingo, 29 de setembro de 2013

Fica aqui uma promessa

Quando em terras germânicas, já dominar melhor a língua, começo a traduzir os post...
(só para variar e sair daquela regra de muitos blogs que publicam em Português e Inglês!)




Wenn in germanischen Ländern, bereits beherrschen die Sprache besser, fange ich an den Pfosten übersetzen ...(Nur für eine Änderung dieser Regel und lassen viele Blogs, die in portugiesischer und englischer Sprache zu veröffentlichen!)

Übersetzt mit Google Translator

Domingo de Outono de chuva

Que dia bom para ficar na ronha (ou fazer companhia à mamã no trabalho dela), a gastar os últimos cartuchos antes da partida definitiva da semana que vem!

                                          
(da Internet)  



O PAI (da Carolina)

Capítulo II

O pai, o Francisco, toda a vida foi guiado pelas ordens da sua mãe, a Ema. É um homem inseguro, mulherengo e um falhado, na perspectiva de muitos que o conhecem. Está no terceiro casamento, com uma mulher desequilibrada, que não pode abandonar por situações da vida, que agora não interessam para esta história. O primeiro casamento foi uma imposição da mãe, pois já tinham tudo marcado para o seu casamento com a Susana, quando conheceu a Filipa. Casou apesar de tudo, mas abandonou o lar uma semana depois, com a sorte de não ter deixado ali a sua semente, entenda-se, um filho. Juntou-se com a Filipa, contra a vontade de Ema, que infernizou a vida da jovem, que mal sabia onde se estava a meter…
O segundo casamento terminou e para trás deixou dois filhos. Não que não gostasse deles, que não sentisse o amor fraterno, mas não consegue desempenhar este papel. Talvez tenhamos que ir mais atrás a infância deste pai, que um dia foi filho. Filho de uma mãe que o adora acima de tudo e filho de um pai que se desconhece quem seja. Filho então de um outro pai que o aperfilhou e que lhe deu tudo, mas que nunca conseguiu perdoar a mulher ou aceitar os defeitos deste filho, que não era seu. Francisco cresceu no seio de uma família controversa, em que o pai exige bastante dele mas em que a mãe o protege e esconde os seus erros. Não cresceu, não aprendeu a responder pelos seus erros nem a assumi-los e emendá-los com responsabilidade. É hoje um menino grande, de 35 anos.
As atitudes que toma são mais fortes do que ele, algo que lhe é intrínseco, mesmo não gostando do que vê e do que é, nada consegue fazer para o alterar. Nunca gostou de estudar e o trabalho também não é para ele. Tem a “sorte” de ter uma mãe que o apoia 100% e que lhe vai dando algum dinheiro quando está mais enrascado, mesmo que seja às escondidas do pai, que sabe preferir a irmã, alguém mais perfeito que ele próprio.
Começou com o erro das mulheres, com as quais não consegue evitar envolver-se, coisa que para si é muito fácil, como se lhe saísse pelos poros, qual cavaleiro andante ou 007 galanteador. Elas vêm até ele, e ele como verdadeiro macho que é não lhes consegue resistir. Depois as dívidas! O homem até têm ideias e gosta de tomar a iniciativa com a ajuda do financiamento dos pais. O problema é que se cansa facilmente e como já referi, trabalhar não é o seu forte, consequentemente as dívidas vão-se acumulando, o que o obriga a mudar frequentemente de casa, de trabalho, de cidade…
Está agora no terceiro casamento, do qual já tem mais um filho. As coisas não correm da melhor forma, dado que esta mulher é muito mais controladora. Dizem que à terceira é de vez e parece que assim será. Já tentou separar-se, mas desta vez não vai ser fácil. Embora das vezes anteriores tenham sido elas a deixá-lo, desta vez tenta o contrário, mas em vão. Esta é persistente, e pior, esta é pior que ele. Agora é obrigado a trabalhar, porque esta é uma mulher desequilibrada que também não gosta de trabalhar. Agora tem de ser pai, porque esta mulher não sabe ser mãe, e o filho anda aos tombos sem ninguém que olhe por ele. Já não vai para novo, já não está tão bonito e tem às costas uma cruz que o fará penar.
Agora é perseguido pela bagagem do seu passado e pelo peso do seu presente. Apresentou aos filhos, do casamento anterior, esta mulher e o filho mais novo agora já com 3 anos, sem qualquer preparação prévia. Em parte porque não sabia como o fazer, mas também porque foi uma decisão repentina, mais uma vez provocada pela pressão da mãe, que não resiste a meter-se na sua vida. Os últimos encontros entre a ex-família e a actual não correram bem, mas o Francisco não é homem de encarar nada de frente, nem de dar a cara por ninguém. Tem fechado os olhos ao que vê e tem tamponado os ouvidos ao que ouve. Prefere ignorar, tal como uma criança que crê que ao fechar os olhos os outros não a vêem.
E é esta a figura paternal de Carolina!



segunda-feira, 23 de setembro de 2013

O INÍCIO

Capítulo I


Era uma vez uma adolescente, de seu nome Carolina, cujos 15 anos davam muito que pensar. Os seus pais estavam divorciados desde que tinha três anos e as recordações destes tempos eram praticamente inexistentes. Idolatrava o pai desde sempre, mesmo após todas as tentativas frustradas de aproximação. Qualquer segundo de carinho, qualquer sorriso ou a palavra “filha” vinda desta boca, deixavam-na derretida e mascaravam qualquer sombra do homem que tinha seguido a sua vida e que apenas se relacionava com a filha por imposição da família, em especial da sua mãe.
Cresceu num ambiente familiar aparentemente saudável, apesar das constantes discussões com a mãe. Embora não a considerasse culpada pela separação, a falta de relacionamento com o pai deixava-a revoltada e descontava a revolta na mãe, não lhe atribuindo apesar de tudo nenhuma culpa pelo divórcio. São sentimentos controversos, ainda mais quando experienciados em criança, sendo que acabam a ser exponenciados com a chegada de adolescência. Não se trata de uma atitude agressiva direccionada, mas de uma explosão de sentimentos que fogem ao controlo e que saem como fogo de artifício em todas as direcções. A mãe, por estar sempre presente, por ser a pessoa mais próxima, acaba a ser quase sempre o alvo do fogo disparado.
É a história típica de uma adolescente, excelente aluna, praticante de desporto, responsável, trabalhadora, mas que esconde uma parte da sua vida. Não será isto de estranhar numa adolescente. Todos sabemos que os adolescentes têm segredos. Desde os namoros, nem sempre com a pessoa certa, às experiencias nem sempre corretas ou agradáveis, como o primeiro bafo ou a primeira vez. Mas esta adolescente tem algo mais sombrio por detrás da aparência normal, algo que acontece dentro das paredes de casa, no silêncio da noite, no vazio da solidão.
Socialmente não posso dizer que seja a mais popular lá da escola, mas também não é anti-social. Pratica um desporto de equipa, que faz parte da sua rotina semanal vários dias por semana. Na escola convive com vários tipos de pessoas, embora nunca se sinta realmente encaixada. Prefere resguardar-se de amizades que a possam desvendar, que a possam magoar, não se inclui em grandes grupos de amigos, normalmente tem apenas uma ou duas amigas mais próximas e mesmo com essas não se revela totalmente.
No campo amoroso, já experienciou algumas relações, a maioria sem importância, fugaz e superficial. Não passa muito tempo sem uma relação. Precisa sentir-se amada e a figura masculina transmite-lhe complementaridade, talvez influenciada pela sua relação com o seu pai. Não tem medo de experimentar coisas novas, algumas delas talvez precoces para a sua idade. Embora possa parecer aos outros que o faz para agradar a quem está consigo, namorados ou amigos, a verdade é que o faz porque precisa de se sentir audaz. Carolina é uma rapariga curiosa e precisa de sentimentos fortes, que busca nestas atitudes menos lícitas, aventureiras e até perigosas. Apesar de tudo fá-lo discretamente e são muito poucos os que têm conhecimento de tais atitudes. Normalmente apenas uma a duas pessoas sabem de tais situações e nunca a mesma pessoa sabe de várias, isso permite resguardar-se e não se dar a conhecer totalmente. Se questionarmos os seus amigos, família ou conhecidos, todos terão uma opinião diferente sobre ela. Talvez concordem numa parte da descrição: Carolina é uma rapariga forte, determinada e que sabe o que quer. Mas será mesmo assim? Ou construiu uma muralha para se proteger?
A família é o mais importante para ela. Mas sente-se reprimida e incompreendida. Tudo o que faz é tentar ser a melhor em tudo. Sente que é uma obrigação e o que a família espera dela. É por isso que se esforça por ser a melhor aluna da escola, embora isso também lhe pareça sair naturalmente. É por isso que a irrita que se contentem com o “Satisfaz” do irmão, quando esperam o 100% dela. Carolina sente-se incompreendida e mal-amada, apesar de ter sempre sido uma criança adorada por todos, de ter conseguido ser sempre a melhor e de ter tudo o que sempre quis, ou pelo menos assim pareceu. Mas a verdade é que chegou agora aos seus 15 anos e continua a não se entender a si própria nem aos outros. Sente-se amargurada e desabafa com o seu diário. O único que conhece a sua verdadeira história.

E é aqui que a encontramos e que a história começa, sentada numa sala de biblioteca, num canto de uma sala, sozinha e a escrever. Mas antes de começar talvez seja importante conhecermos mais dos que rodeiam esta menina. Olhemos então um pouco para trás para conhecer a família, que tanta influencia tem na personalidade desenvolvida ou diria antes assumida por esta adolescente, não sendo eu psicóloga nem querendo entrar num campo sobre o qual não tenho o direito de dissertar.

Novo Tema : "Uma História..."

Bom dia a todos!

Decidi lançar uma novo tema aqui no blog, depois de muito refletir sobre isso. É uma história sobre a qual tenho escrito de alguns meses para cá e como ainda não tem título, esta espécie de livro digital ficará com o provisório supracitado...
Não vou lançá-lo como uma rúbrica, porque não me quero comprometer com datas para a sua publicação. Tentarei que saia um pouquinho pelo menos uma vez por semana, mas não prometo nada.
Esta é uma história baseada em factos reais, com um pouquinho de ficção à mistura, mas retrata uma situação que acontece todos os dias ao nosso lado sem nos apercebermos. É uma situação pesada, angustiante e escondida, que muitas vezes nos passa mesmo por baixo do nariz, com família, vizinhos, amigos, sem que ninguém dê conta. Não vou adiantar mais!
 Poderão acompanhar a história por aqui, intercalada ou não por outros posts, mas será fácil de aceder pois ficará com a etiqueta "Uma História...". A primeira publicação será mais logo, em horário nobre =)...

Espero que gostem! Podem comentar e/ou dar sugestões, embora não vá fugir muito do fio condutor, nunca se sabe se não me inspiram com mais qualquer coisa... Agradeço o facto de continuarem desse lado e gostaria bastante de continuar a receber o vosso feedback, agora sobre estas próximas publicações.

Beijinhos,
Cat***

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Setembro, ciclos, presente e futuro

A minha andança por estas bandas tem sido escassa como é óbvio...
Sim, sei que sentem a minha falta, mas como bons leitores sem que compreendem a agitação em que a minha vida tem andado...
Até meados do meio do mês estive a terminar a primeira fase do meu curso de alemão. O A1 já está e agora siga para a Alemanha. Vou partir já no princípio de Outubro e não consigo parar de querer organizar tudo. Faltam cerca de três semanas e já tenho as malas praticamente feitas. Tenho também uma lista quase riscada, mas à qual acrescento todos os dias mais qualquer coisa. Tenho medo de me esquecer de algo crucial e por isso estou a fazer tudo com muita antecedência. Estou muito ansiosa por esta mudança que vai significar tanto na minha vida.

No outro dia lembrei-me de uma frase que me disseram uma vez: " a vida é feita de ciclos e normalmente cada ciclo começa ou acaba com um grande evento". Refleti sobre a minha vida até agora e é bem verdade... Aos 18 anos sai de casa, fui morar como meu namorado, numa cidade diferente, comecei a trabalhar e a fazer o IRS por minha conta, entrei na universidade e comecei a tirar a carta. Agora terminei o meu curso, deixo para trás a vida de estudante e os trabalhos temporários, entro à séria no mercado de trabalho e mudo-me para um país diferente! Estou apreensiva com o resultado, mas não posso deixar de estar feliz!

Por outro lado, tenho alturas do dia, em que sozinha em casa olho para as minhas coisas, para as fotos na parede e bate uma saudade. Penso nas diferenças do meu país em comparação com o país que me vai adotar: no clima, na gastronomia, nas pessoas, na luz... e nada melhor para exprimir isso que estas duas músicas:


" ...se uma lágrima te cair ao ver chegar o fim, toma cuidado, muito cuidado, que a saudade começa assim..."

Que vida ingrata a dos que se vêem obrigados a partir daquilo e daqueles que são seus em busca de novas oportunidades de vida. Mas a vida é mesmo assim, as viagens de avião hoje em dia já se conseguem a preços mais razoáveis. E não vou para o outro lado do mundo. Há sempre a internet que nos permite manter o contacto diária com a família, os amigos e convosco...

Obrigada por tudo,
Cat**

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Sobre o que ando a ler...

A par com todos os exercícios de Alemão, de que já estou exausta, tenho andado a ler bastante, para não começar a misturar idiomas e cometer erros de ortografia em Português que às vezes começa a acontecer quando nos debruçamos simultaneamente noutras línguas. Ainda mais que neste caso está a ser de uma forma super intensiva, diria mesmo exaustiva...

Agora estou a ler este:

Não é um livro que estivesse a contar ler. Não me suscitou grande interesse no seu lançamento. É uma temática que feliz ou infelizmente conheço bem, por motivos meramente profissionais (Graças a Deus!), sobre a qual não tinha grande interesse em ler nesta fase da minha vida.
No entanto, foi-me oferecido no meu aniversário e como não só de rejeitar leituras, foi agora!
Comecei a lê-lo hoje, no metro, de manhã, e já avancei pouco mais de 100 páginas. No início e àquela hora da manhã, ao empatizar com os sentimentos transmitidos, comecei a sentir-me enjoada. Uma mulher com cancro, grávida e em risco de vida... às vezes sou capaz de ser muito fria e distante, mas tenho sentimentos, como é óbvio.
Por agora até estou a gostar, vamos ver a continuação. Mas acredito que não deve sair muito desta linha. Transmite bem a ideia do que estas doentes passam. Para quem tiver curiosidade até agora o meu feedback é positivo!

Beijinhos,
Cat

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O dom da invisibilidade

Ainda estou por aqui... Ando preguiçosa mas continuo por cá! O curso de alemão tem-me deixado exausta mentalmente e sem inspiração nenhuma, como devem calcular é um enorme esforço mental que faço diariamente. =P

Bem de qualquer forma continuo por aqui, quase invisível mas por aqui...
Vão dizendo coisas...

Tschüss

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Esta semana estive de férias!

Olá gente boa!

Finalmente posso dizê-lo. E posso fazê-lo porque esta semana não foi aquela é que tive de gozar de férias forçadas, em que não tenho nada que fazer nem companhia... Esta semana foi de conciliação, das minhas férias com as de uma amiga, das mais antigas, aquela amiga de escola!





Foi muito bom. Conseguimos ir à praia praticamente todos os dias e ao fim do dia lá íamos nós ao ginásio. 



Posso dizer que estou contente com o bronze que consegui este ano e com o aspecto que as duas semanas de ginásio estão a trazer ao meu corpo.
Durante os "after lunch" conseguimos apesar de tudo tempinho para nós, para fazer tarefas, para arrumar a casota ou simplesmente para dormir uma boa sesta. Foi uma semana revigorante e segunda já começa o curso de Alemão. Finalmente! Estou super ansiosa...






 As minhas unhas andavam nesta miséria...
E esta semana deu para fazer isto!













Ontem com o marido em casa por ser feriado, acabámos por partir uma das camas cá de casa, que serve de sofá na sala, não pensem já outras coisas... Mas homem que é homem consegue remediar tudo e este não é exceção... Depois fomos às compras e acabámos o dia com um excelente petisco... Lá se foi a dieta, depois de já ter sido quebrada de manhã com uma bola de berlim!



Por hoje é mais assim... Séries e descanso (na cama remediada, ou antes remendada, ontem). Mais logo vou acabar de fazer as malas para ir passar o fim-de-semana à nossa terrinha, a minha cidade e a aldeia dela, a casa da minha mãe e a da minha sogra. Viemos para longe (em breve vamos para ainda mais longe), mas felizmente as nossas terras natais são bem pertinho uma da outra e podemos estar nas duas "ao mesmo tempo".


Mais notícias em breve!

*Cat

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Hoje tive um sonho...

Hoje sonhei um sonho...
Sonhei que me sentia amada. Senti-me desejada. Senti desejo e vontade de largar tudo pelo amor que sentia e recebia. Era um amor diferente do que estou habituada, eu mulher livre e determinada, feminista declarada!
Era um amor mais ao estilo da cultura indiana, em que a mulher é como que "aprisionada" pois deve viver em função do marido, muitas vezes ignorando a sua própria vontade. Esta cultura pode não ser exatamente assim, mas do que conheço dela foi a ideia que me deixou. E a verdade é que abdiquei de mim em algumas coisas, mas não abdiquei da minha vontade, por essa era fazer exatamente o que fui fazendo ao longo do sonho. Passei a vestir-me de forma diferente, os meus hábitos de vida mudaram, mas logo que o meu marido olhava para mim tudo era compensado! Acordei com uma sensação tão boa, com o sorriso nos lábios, sensação de amor romântico que não sinto há muito...

Depois acordei! E a sensação passou de ter um coração cheio, para um peito vazio!

Sinto falta de algo, há já bastante tempo. No dia-a-dia distraímo-nos com muita coisa e vamos ignorando o que diz o coração em prol do que diz a cabeça. Mas e se não voltar ao que era? E se nunca mais me voltar a sentir cheia? Vai ser sempre isto?

Quero voltar a dormir! Quero voltar a este sonho tão bom, onde não me importo de abdicar de tudo porque tenho amor... não quero continuar aqui onde abdico de muito e tenho recebido tão pouco.



Como não posso fazê-lo vou ali até à praia, espairecer um bocadinho...
Bom dia a todos!

domingo, 11 de agosto de 2013

Desiludida


"Onde está a dissimulação?
Partiu-se ao meio com a desilusão
Corações doendo
Pessoas se remoendo
Na valsa da decepção
O véu havia se rasgado
Transparecendo a vida
Transbordando a emoção."


O que fazer quando reparamos que talvez não conheçamos realmente aquele que passámos um terço da vida a amar?

o rumo das últimas semanas

O blog tem andado paradinho mais por falta de inspiração do que por outra coisa. A verdade é que nas últimas duas semanas, com o trabalho na praia, ando mais ocupada de manhã e como ficava exausta à tarde acabava por dormir uma sesta. Depois juntou-se o ginásio ao fim do dia, com o qual finalmente me comprometi a valer e no qual tenho passado cerca de 2h todos os finais de tarde...
A tudo isto acresce a falta de motivação para escrever!
Mas estou por aqui e tenho passado pelos vossos cantinhos, mesmo não comentando porque a falta de motivação para a escrita é geral e não só para aqui.
Não tenho muitas mais novidades... a praia com as crianças acabou, agora sobra-me muito tempo livre outra vez. Mas apenas mais esta semana. Dia 19 começo finalmente o curso de Alemão e depois é só mais cerca de um mês e meio para ir embora deste país. País adorado, que me viu nascer, que me viu crescer, que me faz viver e me ensinou a querer mais. Não sou ingrata e dou-lhe o seu valor, mas neste momento por motivos que infelizmente todos conhecemos, não me parece o país indicado para ver nascer os meus filhos e por isso vou em busca de algo melhor, na esperança de um dia voltar e trazer os rebentos para as suas origens.
Por agora luta-se e prepara-se um futuro que não se adivinha fácil nos próximos meses, nos quais reinará a saudade, a saudade deste país, mas em especial as saudades dos que cá ficam!

*.*

domingo, 28 de julho de 2013

Cante se Puder

Já viram o novo programa?
Ora mudem lá o canal para a SIC e desmanchem-se a rir como eu...

sábado, 27 de julho de 2013

A voltar à nostalgia do secundário e a reaprender a amar literatura...

Nos últimos dias tenho pensado em muito do que gostava e que meio abandonei na minha vida actual.
Hoje passei quase uma hora pela Bertrand e passei os dedos pelos livros, peguei-lhes, abri-os, folheei-os...
Que bem me senti, que saudades de ler, dos livros que já li e dos que ainda nem conheço.
Como já devem ter reparado aqui ao lado, estou normalmente a ler, mas este último não é tanto o que estava à espera e faz-me sentir falta dos clássicos...

Recordo-me por exemplo de: Os Lusíadas, A história do gato que ensinou a gaivota a voar, O mundo de Sofia, entre tantos outros que adorei ler (não chamando para aqui os de fantasia, que isso é outro capítulo).

Por agora deixo-vos com Fernando Pessoa, esse senhor que também fala de amor, e que lindas cartas escreveu à senhora dona Ofélia...


Creio no mundo como num malmequer,

Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender... 



O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo... 



Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

...


Ophelinha:


Agradeço a sua carta. Ella trouxe-me pena e allivio ao mesmo tempo. Pena, porque estas cousas fazem sempre pena; allivio, porque, na verdade, a unica solução é essa – o não prolongarmos mais uma situação que não tem já a justificação do amor, nem de uma parte nem de outra. Da minha, ao menos, fica uma estima profunda, uma amisade inalteravel. Não me nega a Ophelinha outro tanto, não é verdade?
Nem a Ophelinha, nem eu, temos culpa nisto. Só o Destino terá culpa, se o Destino fosse gente, a quem culpas se attribuissem.
O Tempo, que envelhece as faces e os cabellos, envelhece tambem, mas mais depressa ainda, as affeições violentas. A maioria da gente, porque é estupida, consegue não dar por isso, e julga
que ainda ama porque contrahiu o habito de se sentir a amar. Se assim não fosse, não havia gente no mundo. As creaturas superiores, porém, são privadas da possibilidade d’essa illusão, porque nem
podem crer que o amor dure, nem, quando o sentem acabado, se enganam tomando por elle a estima, ou a gratidão, que elle deixou.
Estas cousas fazem soffrer, mas o soffrimento passa. Se a vida, que é tudo, passa por fim, como não hão de passar o amor e a dor, e todas as mais cousas, que não são mais que partes da vida?
Na sua carta é injusta para commigo, mas comprehendo e desculpo; decerto a escreveu com irritação, talvez mesmo com magua, mas a maioria da gente – homens ou mulheres – escreveria, no seu caso, num tom ainda mais acerbo, e em termos ainda mais injustos. Mas a Ophelinha tem um feitio optimo, e mesmo a sua irritação não consegue ter maldade. Quando casar, se não tiver a felicidade que merece, por certo que não será sua a culpa.
Quanto a mim…
O amor passou. Mas conservo-lhe uma affeição inalteravel, e não esquecerei nunca - nunca, creia - nem a sua figurinha engraçada e os seus modos de pequenina, nem a sua ternura, a sua dedicação, a sua indole amoravel. Pode ser que me engane, e que estas qualidades, que lhe attribúo, fossem uma illusão minha; mas nem creio que fossem, nem, a terem sido, seria desprimor para mim que lh’as attribuisse.
Não sei o que quer que lhe devolva – cartas ou que mais. Eu preferia não lhe devolver nada, e conservar as suas cartinhas como memoria viva de um passado morto, como todos os passados; como alguma cousa de commovedor numa vida, como a minha, em que o progresso nos annos é par do progresso na infelicidade e na desillusão.
Peço que não faça como a gente vulgar, que é sempre reles; que não me volte a cara quando passe por si, nem tenha de mim uma recordação em que entre o rancor. Fiquemos, um perante o outro, como dois conhecidos desde a infancia, que se amaram um pouco quando meninos, e, embora na vida adulta sigam outras affeições e outros caminhos, conservam sempre, num escaninho da alma, a
memoria profunda do seu amor antigo e inutil.
Que isto de «outras affeições» e de «outros caminhos» é consigo, Ophelinha, e não commigo. O meu destino pertence a outra Lei, de cuja existencia a Ophelinha nem sabe, e está subordinado cada vez mais á obediência a Mestres que não permittem nem perdoam.
Não é necessário que comprehenda isto. Basta que me conserve com carinho na sua
lembrança, como eu, inalteravelmente, a conservarei na minha.
Fernando
29/XI/1920


Ok, sou uma incorrigível e continuo a viver nas histórias (livros, filmes, séries) o que não posso viver na vida real. E então, há algum mal nisso? Preciso de histórias que me apaixonem, que me façam pensar mas com perspectiva de quem assiste. Preciso de sentimentos bons que nem sempre tenho oportunidade de experienciar na vida real. Se isso é crime, sim sou culpada. Culpada de amar histórias, culpada de me alimentar delas e culpada de viver na fantasia de vidas que não são a minha. E então, que me pode culpar?

Pois quem nunca pecou, que atire a primeira pedra!

Beijinhos e boa noite

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Esvaziando a mente

A fazer um bolo de iogurte (a dobrar!) a ver se esvazio a mente (para além da despensa!)

Heranças...

Odeio heranças, sempre odiei! Cada vez odeio mais! Não encontro nada de bom nisso, a não ser que a a herança seja dinheiro e haja um único herdeiro. As heranças só dão confusão. Confusão entre as famílias, confusão burocrático e despesas em escrituras e afins!
Já para não falar que fazem recordar que só estamos a herdar porque alguém que nos era querido já cá não está! É tão mais fácil quando é alguém a fazê-lo por nós. Devia ser obrigatório toda a gente dividir os seus pertences e deixar tudo tratado antes de morrer! Não deixar esta confusão para os outros...

Que massada! Tenha a cabeça a explodir, um nó na garganta e o estômago às voltas que me deixa enjoada!